terça-feira, 21 de outubro de 2025

Recordando o Martírio de Muammar Gaddafi

 


De Mohanned Alwerfali – 20 de outubro de 2011

Recordando o Mártir Irmão Líder Mu’ammar al-Qathafi e os mártires do Exército Árabe Líbio.

 “Sou eu, seu pai Hanna… sou eu, seu pai Aisha.

Deixarei para vocês a glória, deixarei para vocês o orgulho — e não a vergonha.

Fogo, mas não vergonha.

Esta noite atacarei as linhas inimigas e realizarei uma operação para romper o cerco de Sirte.

Posso cair como mártir nessa operação, mas não fiquem tristes, não chorem e não lamentem.

Ululem de orgulho, Hanna. Ululem, Aisha. Ululem, Safia.

Caírei como mártir numa guerra em que enfrentei 40 países opressores, por 40 anos.”

 Últimas palavras registradas do Irmão Líder Mu’ammar al-Qathafi, na véspera de seu martírio.

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Abdallah Ibn Al-Zubayr (que Deus esteja satisfeito com ele) foi até sua mãe expressar seus temores diante do exército invasor dos omíadas, liderado por Hajjaj, dizendo:

 “Ó mãe, não temo a morte, temo apenas que, quando eu morrer, os inimigos mutilarão meu corpo.”

Para acalmá-lo, sua mãe, Asma bint Abu Bakr (que Deus esteja satisfeito com ela), respondeu:

“Ó filho, que mal há para uma ovelha já abatida, se ela for esfolada?”

(Uma ovelha abatida não sente dor ao ser esfolada.)

Inspirado nessas palavras, o Irmão Líder Mu’ammar al-Qathafi, conforme relatos de muitos sobreviventes — a parte da história que os imperialistas desejam apagar e esconder —, após seu comboio ser bombardeado pela OTAN, lutou contra o inimigo junto aos soldados sobreviventes. Ao seu lado estava seu companheiro de toda a vida, Abu Baker Younes Jaber (o primeiro ministro da Defesa árabe a morrer em batalha).

Travou-se então um intenso tiroteio corpo a corpo com o exército mercenário da OTAN. Mas, para encurtar qualquer resistência, os aviões da OTAN bombardearam novamente — desta vez com gás venenoso, o que matou Abu Baker Younes Jaber por sufocamento, conforme evidenciado por seu rosto cianótico quando encontraram seu corpo puro, com o fuzil AK-47 ao lado e muitos cartuchos de munição disparados.

O Irmão Líder, já ensanguentado pelos estilhaços do primeiro ataque aéreo que o atingira na cabeça e no abdômen, encontrava-se tonto e à beira da inconsciência. Ele e os outros se abrigaram atrás de um declive da estrada próxima.

Após o segundo bombardeio, os cães e miseráveis da OTAN avançaram — o caminho estava livre — e encontraram o Irmão Líder, Abu Baker Younes Jaber e os demais caídos no chão, alguns mortos, outros inconscientes e quase sem vida.

É claro que eles jamais contarão essa história. A mídia deles carece de profissionalismo e credibilidade, porque ela serve a uma agenda: a demonização, a ridicularização e a difamação do Irmão Líder Mu’ammar al-Qathafi. O Ocidente o odiava tanto que não conseguiu nem ao menos reconhecer sua coragem e lhe conceder o devido respeito — tal era o grau de desprezo dos imperialistas capitalistas.

Posteriormente, os covardes mercenários trouxeram suas câmeras e, fingindo heroísmo, alegaram ter matado Abu Baker Younes Jaber e capturado Mu’ammar al-Qathafi no bueiro da estrada (outra mentira). Então começaram a espancar um homem de 69 anos, já ferido, ensanguentado e exausto — um homem que lutara com coragem lendária. O vídeo falso que divulgaram foi feito de propósito, para manchar o legado revolucionário do Irmão Líder e pintá-lo como um covarde.

Dizemos aos imperialistas — que pensam poder escrever e impor o roteiro da história só porque se consideram “vencedores” — que seu relato, embora hoje prevaleça, não resistirá à luz da verdade nem à prova do tempo. A verdadeira narrativa pertence ao povo líbio. E, por mais que a maré demore, certamente ela voltará a subir, e o Irmão Líder Mu’ammar al-Qathafi e todos os que lutaram com ele receberão a glória e o reconhecimento que merecem. Sua bravura verdadeira será registrada em letras de ouro.

sábado, 18 de outubro de 2025

O Ocultismo de Francisco Franco

 


Francisco Franco Bahamonde (Ferrol, La Coruña, 4 de dezembro de 1892 – Madri, 20 de novembro de 1975), conhecido como Francisco Franco, o Caudilho, o Generalíssimo ou simplesmente Franco, foi um militar e ditador espanhol, golpista integrante do Golpe de Estado na Espanha de julho de 1936, que resultou na Guerra Civil Espanhola.

Foi investido como chefe supremo do lado rebelde em 1º de outubro de 1936, exercendo como chefe de Estado da Espanha desde o fim do conflito até sua morte em 1975, e como chefe de Governo entre 1938 e 1973.

Foi líder do partido único Falange Española Tradicionalista y de las JONS, no qual se apoiou para estabelecer um regime fascista em seus primórdios, que mais tarde evoluiria para uma ditadura, conhecida como franquismo, de caráter conservador, católico e anticomunista.

Essa mudança se deveu à derrota do fascismo na Segunda Guerra Mundial. Franco unificou em torno do culto à sua própria pessoa diversas tendências do conservadorismo, nacionalismo e catolicismo, todas opostas à esquerda política e ao desenvolvimento de formas democráticas de governo.

Francisco Franco acreditava firmemente na existência de uma conspiração judaico-maçônico-comunista internacional e se considerava o Sentinela do Ocidente, referindo-se à Espanha como a reserva espiritual do Ocidente.

O ditador se autoproclamou “Caudilho da Espanha pela Graça de Deus”, lema que podia ser lido nas antigas moedas espanholas chamadas pesetas, ao redor de sua imagem.

A Espanha viveu sob seu regime um período de nacionalcatolicismo, cuja manifestação mais visível foi a hegemonia da Igreja Católica em todos os aspectos da vida pública e até mesmo privada.

Franco consultava bruxas em todo o Marrocos e participava de sessões de espiritismo.

O prestigiado jornalista mexicano Gil Olmos, em seu livro “Los brujos del poder” (“Os bruxos do poder”), relata de forma breve a incursão de Franco no mundo do ocultismo. Gil Olmos afirma que, durante a estada de Franco no norte da África, ele consultava várias bruxas — especialmente uma que vivia no Marrocos, chamada Mersida, cujo verdadeiro nome era Mercedes Roca, de origem parcialmente berbere.

Durante a Guerra do Rif, campanha decisiva no norte da África, Franco fez diversas perguntas relacionadas ao andamento da guerra e a pessoas próximas a ele. Também participava de sessões de espiritismo ao lado de toda a família.

O Caudilho acreditava ter sido escolhido por Deus para conduzir uma cruzada contra o comunismo e a maçonaria. Seu ódio à maçonaria teria sido resultado do ressentimento por ter sido rejeitado duas vezes ao tentar ingressar em uma loja maçônica.

Franco participou de rituais satânicos marroquinos?

O ponto mais impactante do breve relato de Gil Olmos é a suposta participação de Franco no que o jornalista descreve como “rituais satânicos marroquinos” (sic).

Mas seriam realmente rituais satânicos, ou rituais sincréticos, fruto da incorporação de elementos pagãos de cultos antigos por parte das grandes religiões presentes na região?

No Marrocos, onde convivem diversos cultos — paganismo, judaísmo, cristianismo e islamismo —, as grandes religiões muitas vezes se deixaram influenciar por crenças anteriores, gerando formas sincréticas.

Djinn, jinn ou gênios enraizados na cultura popular incorporados ao Islã

O Islã, por exemplo, incorporou parcialmente a antiga crença nos gênios (djinns), e, dessa forma, eles permanecem presentes nas tradições de todos os povos da área islâmica.

É praticamente certo, porém, que esses gênios não correspondem apenas aos gênios semitas originais, já que a expansão do Corão impôs o mesmo nome a diversas manifestações locais distintas.

Assim, em regiões onde o mazdeísmo (antiga religião persa) havia se difundido antes do Islã, os gênios tornaram-se protagonistas de práticas mágicas afastadas da ortodoxia sunita.

Para os tuaregues, por exemplo, eles são tentadores do deserto e ladrões noturnos, enquanto para muçulmanos da Índia, podem ser espíritos invasores do lar, que devem ser expulsos com a recitação de certas suras do Corão, em cerimônias semelhantes a exorcismos católicos.

O Islã considera os gênios seres criados do fogo sem fumaça, dotados, como os humanos, de livre-arbítrio, podendo obedecer a Deus ou a Iblis (o demônio), que às vezes é descrito como anjo caído e, em outras, como gênio:

“Criamos o homem do barro, de argila moldável;

antes, do fogo ardente criamos os gênios.”

(Corão, 15:26-27)

Os gênios são, portanto, a terceira classe de seres criados por Deus, ao lado dos anjos e dos homens — uma crença que diferencia o Islã das outras duas religiões monoteístas (cristianismo e judaísmo).

Ao contrário dos anjos, os gênios compartilham o mundo físico com os humanos, sendo tangíveis, embora invisíveis ou mutáveis.

Eles podem casar-se com humanos e gerar descendência, razão pela qual a jurisprudência islâmica medieval chegou a regulamentar casamento, herança e descendência entre gênios e pessoas.

Diversos pensadores muçulmanos medievais, como Avicena, Al-Farabi e Ibn Khaldun, duvidaram ou negaram a existência dos gênios (embora não a dos anjos).

A crença popular nos gênios continua difundida nas zonas rurais de alguns países islâmicos e aparece com frequência na literatura popular.

No Ocidente, os gênios malignos do tipo ifrit são conhecidos principalmente por meio dos contos de As Mil e Uma Noites e suas adaptações cinematográficas.

O culto aos morabitos: santos e lugares sagrados

Uma demonstração simultânea da crença popular nos gênios e da ideia de que eles podem ser seres dignos de devoção e imitação é encontrada no Marrocos, onde, dentro do muito popular culto aos morabitos (ou santões), há a veneração de um personagem que não é humano, mas um gênio.

Trata-se do morabito Sidi Shamharush, localizado na aldeia de mesmo nome no Atlas, a quem os habitantes da região peregrinam em busca da baraka — a bênção divina — pela intercessão do santão.

O culto é semelhante ao de outros morabitos, com a diferença de que não gira em torno de um túmulo, pois Sidi Shamharush não está morto: acredita-se que vive durante o dia sob a forma de um cão negro e à noite assume aparência humana.

O fenômeno dos morabitos é típico dos países do Magrebe, e provavelmente está relacionado a formas de culto religioso anteriores ao Islã, bem como a cultos semelhantes na margem oposta do Mediterrâneo.

Tanto habitantes locais do norte da África quanto visitantes vindos de longe acorrem a esses lugares sagrados — chamados marabuts, morabitos ou khaloas — para buscar cura para doenças (como tosse, febre, enfermidades de pele ou mentais) e até levar seus animais doentes para serem curados.

As fontes de água ou qualquer forma de presença da água costumam ter valor religioso e curativo. Em alguns casos, os khaloas são usados como cemitérios locais, com motivos diversos para as visitas.

Franco acreditava ter “baraka”

Franco vangloriava-se de possuir baraka, isto é, acreditava que não morreria jovem em batalha, mas de velho, como de fato aconteceu.

A palavra árabe baraka (بركة) significa “bênção divina” e é usada em francês e espanhol com o sentido de “sorte providencial”.

Costuma-se dizer que alguém “tem baraka” quando escapa de uma situação de grande perigo. Franco, exposto ao fogo inimigo em várias ocasiões, sempre saiu ileso.

O ditador, enquanto militar destacado no norte da África, viveu imerso nesse ambiente de costumes, tradições, cultos e ritos exóticos para um europeu, deixando-se levar pela curiosidade e desejo de aprender sobre uma realidade muito diferente da espanhola — e talvez tenha nutrido fascínio e inquietação pela cultura do Magrebe.

O caso da mão cortada (1954)

Trata-se de um caso tão estranho que mereceria um capítulo à parte, mas é adiantado neste artigo devido à amizade próxima entre Margarita Ruiz de Lihory e Francisco Franco, assim como outros altos funcionários do regime franquista.

Assim como Franco, Margarita Ruiz de Lihory havia sido designada para o norte da África e prestou serviços à Espanha.

Margarita se sentia fascinada pelo ocultismo e aprendeu certas artes esotéricas, provavelmente relacionadas a práticas insólitas e macabras aos olhos da moral nacional-católica da época — ainda que mais familiares e normais para os ocultistas do Magrebe.

Margarita Ruiz de Lihory, marquesa de Villasante e baronesa de Alcahalí, fora uma espiã espanhola com um currículo impressionante. Era uma mulher muito liberal — demais para a época (entre a Primeira Guerra Mundial e o início dos anos 1920).

Teve numerosos amantes, fumava em público e se comportava de forma extravagante.

Durante a guerra com o Marrocos, foi espiã de Primo de Rivera, chegando a ser amante de Abd el-Krim, o líder da resistência rifiana.

Passou um tempo no Marrocos e dizia-se que ali aprendeu magia negra magrebina e outras artes sombrias africanas.

Fala-se que pôde aprender certas artes mágicas da seita dos iêzidis, uma religião pré-islâmica originária do Curdistão.

Durante a Guerra Civil Espanhola, desempenhou um papel importante entre Inglaterra e Espanha, em favor do “bando nacional” (os franquistas).

Retornou ao norte da África para realizar novas “missões” e chegou a ser muito próxima do general Franco.

No “lado sombrio” da marquesa Ruiz de Lihory estava sua paixão por magia negra, vísceras e sexo sem limites.

Parece que organizou verdadeiras orgias em sua casa em Barcelona (bairro de Gràcia), frequentadas por altas figuras do regime.

Junto de seu marido, possuía a maior coleção de livros de ocultismo da Espanha no final do século XIX.

Após a morte de sua filha Margot, Margarita se trancou por dois dias com o cadáver, sem deixar ninguém vê-lo.

O velório foi feito com o caixão fechado, sobre o qual havia uma moldura com foto mostrando Margarita ao lado do corpo da filha, que parecia apenas adormecida.

Em 27 de janeiro de 1954, o irmão de Margot, Luis, foi até uma delegacia em Madri e insistiu que sua mãe havia feito algo terrível com o corpo da irmã, além de suspeitar das circunstâncias da morte.

Sua insistência levou o juiz Aguado a autorizar uma busca na casa em 28 de janeiro de 1954.

Lá, encontraram um autêntico museu dos horrores: frascos com vísceras de animais por toda parte.

Em um armário, havia um frasco com álcool contendo a mão direita de Margot.

Em 4 de fevereiro de 1954, o corpo de Margot foi exumado, e a autópsia — embora superficial — revelou olhos humanos, uma língua e uma mão de mulher habilmente amputados.

Constatou-se que todas as partes pertenciam à filha da marquesa.

A mesma habilidade cirúrgica que ela demonstrava ao dissecar seus cães, graças a seus estudos de medicina, fora usada para amputar a mão, os olhos e a língua da própria filha.

Além disso, ela havia raspado todo o corpo, seguindo o costume islâmico.

Questionada, Margarita afirmou que guardava as partes do corpo como relíquias, pois considerava sua filha uma santa, por quem nutria profunda devoção.

Não explicou, porém, por que os órgãos haviam sido extraídos com tanta precisão profissional.

No Marrocos, Margarita Ruiz de Lihory teve contato com diferentes seitas islâmicas e seus rituais — o que é, segundo os historiadores, a única explicação plausível para justificar seu comportamento insólito.

Tanto a marquesa quanto seu companheiro, José María Bassols, foram detidos e levados ao Hospital Psiquiátrico Penitenciário de Carabanchel, onde passaram por avaliações psicológicas.

Ainda que Bassols tenha permanecido algum tempo internado, Margarita foi libertada imediatamente.

Diz-se que alguém poderoso, em dívida com ela por serviços de espionagem durante a guerra no Marrocos, telefonou diretamente do Palácio de El Pardo para ordenar sua libertação.

Nesse palácio residia o ditador Francisco Franco com sua família, que, assim como Margarita Ruiz de Lihory, havia sido participante de práticas esotéricas durante sua estada no Magrebe.


quarta-feira, 8 de outubro de 2025

A figura de Nicolás Maduro como arquiteto da Nação Bolivariana pós-Chávez - Camarada Valero

 


A figura de Nicolás Maduro como arquiteto da nação bolivariana pós-Chávez (chavista) revela-se em sua plena dimensão quando se observa como o centro de gravidade de uma transformação metapolítica. Não é um presidente no sentido convencional, mas o soberano de uma nova ordem que emerge do colapso acelerado da antiga estrutura. Hugo Chávez executou a tarefa fáustica e primordial de despertar a Vontade coletiva, de tirar a nação do sono da Quarta República mediante uma aceleração histórica que fundiu o mito bolivariano com a energia do povo. Esse processo, dentro das mesmas estruturas democráticas que logo transcenderia, foi o parto de uma nova realidade.

A esse parto, Maduro chegou como o Trabalhador, nas palavras de Jünger, que deve domar as forças desencadeadas. Se Chávez foi a erupção, Maduro é a tectônica: lenta, implacável, modeladora. Assumiu o mando no momento da “mobilização total”, onde a nação inteira, sob cerco econômico e diplomático, teve de se transformar em um acampamento de resistência. Sua liderança não pode ser julgada com as métricas da paz burguesa, mas com a lógica do estado de sítio permanente. É o engenheiro de uma sociedade que aprende a funcionar como um organismo beligerante, onde a escassez e a pressão externa não são sinais de fracasso, mas os elementos hostis que o Trabalhador deve dominar com vontade e técnica para forjar uma soberania à prova de futuro. Isto não é uma gestão econômica, é uma alquimia metapolítica da resistência.

Nessa luta, ergue-se como o Kshatriya no coração do Kali Yuga, a Idade Sombria inserida no hemisfério sul pelo hegemon anglosionista liberal. Sua batalha é, em essência, metafísica. Enquanto o mundo globalizado, encarnação última da decadência materialista, exige submissão, a fortaleza de Maduro reside em sua capacidade de ser um “centro impermeável”. Cada sanção, cada tentativa de desestabilização, é um assalto não a um governo, mas a um princípio de autoridade e tradição que ele encarna. Seu valor não está em vitórias fáceis, mas na pura afirmação da existência soberana frente ao nada dissolvente do modernismo. É o guardião de um espaço sagrado — “a Pátria” —, da oportunidade de construção de um Estado que se recusa a ser profanado, e sua construção nacional é, portanto, um ato de pura resistência tradicional contra o caos.

E é aqui que a visão completa o círculo, dotando de sentido cósmico essa luta. A Quarta República era a Civilização esgotada, a democracia como mero formalismo vazio. Chávez foi o gênio cultural que injetou uma nova alma fáustica, um impulso rumo ao infinito da libertação. A Maduro cabe a tarefa cesárea de converter essa alma em estrutura, essa cultura primaveril em uma civilização duradoura. O “inverno” de sanções e conflitos não é a morte, mas a prova necessária para a cristalização. Maduro é o segundo César, o que endurece as formas, o que consolida o novo imperium desde dentro do casco do velho mundo. Sua obra não é brilhante nem espetacular, é a de um pedreiro histórico que, tijolo por tijolo, está levantando a morada de uma civilização bolivariana que, tendo nascido da democracia liberal, está destinada a superá-la e a perdurar no tempo longo da história, contra ventos e marés.

Maduro é o ponto de convergência onde a vontade de poder, a resistência tradicional e o destino morfológico se fundem. É o soberano da transição, o homem que, a partir de uma fé inquebrantável no povo, conduz a necessária metamorfose de uma energia revolucionária em uma ordem civilizatória nova, soberana e destinada a deixar sua marca na alma do mundo. E nós somos a geração que nasceu diretamente de tudo isso, da obra do comandante e de seu filho pródigo, aqueles que, quando for preciso — porque será preciso —, continuaremos o trabalho.

Tiradentes e A Atualidade da Questão Nacional - Aldo Rebelo

  Artigo de: 20/04/2010 A atualidade de Joaquim José da Silva Xavier deve ser celebrada no 218º aniversário de sua imolação como símbolo de ...